segunda-feira, 18 de março de 2013

Só Tememos Aquilo que Não Conhecemos








Desde que me conheço por gente sempre fui ávido leitor em história em quadrinhos. Quando criança passava horas entretido com a Turma da Mônica e Disney, depois, na minha adolescência passei a ler Marvel, conheci os famosos X-Men  e de lá pra cá, não parei mais. Tenho pilhas e pilhas de revistas, que não sei nem mais onde guardar, qualquer dia monto um Sebo.

E foi lendo uma dessas histórias que guardei uma frase que o líder da equipe de mutantes, Ciclope, respondeu quando foi perguntado porque os humanos odiavam tanto os mutantes e ele respondeu: " Eles não nos odeiam. Apenas temem aquilo que não conhecem."

Guardo essa frase comigo até hoje. Tememos aquilo que não conhecemos.

Deixando os mutantes um pouco de lado, ontem participei de mais uma prova, a minha segunda este ano. Revezamento Track&Field 21K. Como foi uma prova de revezamento, participei de um quarteto. Eu, Renata, Fernanda e a Roberta amiga da Fernanda.  Cabia a mim, correr 5K, para ser exato 5.250 metros (em uma corrida, 250 metros fazem diferença).

A Equipe: Eu, Renata, Fernanda e Roberta
Apesar de ser 5K uma distância que faço com certa tranqüilidade, o que me preocupava era o percurso. A prova foi realizada nas redondezas do Shopping Iguatemi Campinas, a largada foi do estacionamento do shopping  e passava pelas ruas vizinhas, o problema era a o relevo do percurso, com três subidas sendo uma longa e suave e duas curtas mas bem íngremes.

Saber disso me dava um certo desconforto, pois estava com bastante receio de não conseguir fazer essas subidas. Na verdade estava meio traumatizado com a última corrida (Corrida da Lua) onde tive que parar faltando uns 300 metros para final, porque minhas pernas "travaram" em uma pequena subida. Estava com medo que isso se repetisse.

Ao chegar no Shopping, o frio na barriga aumentou ao ver o nível dos participantes. Como não havia a opção caminhada, apenas corrida, percebia-se facilmente que a grande maioria eram pessoas jovens e acostumadas a correr. 

Bastante gente no evento.
Quanto a organização do evento, só tenho elogios. Para não falar que tudo foi perfeito, tive um pequeno  contra-tempo, para chegar ao shopping, já que o caminho que escolhi estava interditado por causa do evento. Mas fora isso, muito bem organizado, a área de revezamento, a retirada do kit, largada, tudo feito com muita qualidade.

Tenda do Clube, massagistas e mesa de frutas.
Digo o mesmo da infra-estrutura feita pelo Clube da CoRRida, muito organizado, com mesa de frutas, guarda-volume, massagista, tudo perfeito. Isso facilita muito a vida de quem vai participar. 


E a galera estava em peso, 71 inscritos do Clube. 

Clube da CoRRida, marcando presença!

O dia também ajudou, penso que Deus tem um certo carinho especial por corredores de rua, o dia estava lindamente nublado ameaçando até chover, um clima mais do que perfeito para quem corre.

O cenário estava armado: Gente jovem e bonita, clima perfeito, tudo bem organizado só faltava eu correr. Pela ordem, largaria em segundo, depois da Renata. 

Foi dada a largada, logo em seguida foi liberado para os segundos corredores irem para os "boxes" e aguardar o corredor da sua equipe chegar. A ansiedade era grande, principalmente quando o pessoal começou a chegar por volta de 20min.  E ao mesmo tempo que ansiedade aumentava a adrenalina subia na mesma proporção, foi quando por volta dos 35 min de prova vejo a Renata chegando, não tinha mais jeito, chegou a hora de enfrentar o meu medo. 

Box de revezamento
A Renata chegou, peguei o bracelete e comecei a correr, procurando me concentrar ao máximo para a primeira e mais longa subida que começava logo depois de 1k. Procurei correr sempre em um ritmo confortável, para guardar energia para o final. O bom desse tipo de corrida é que não se vê ninguém caminhando, as vezes é um ou outro que caminha um pouco, mas logo volta a correr. Isso faz com que você não desanime durante a prova, ver um monte de gente andando, é um convite quase irresistível para andar também.

Passado 1K, chegou a subida,  como disse não era uma subida forte, mas longa, mas com a adrenalina  correndo no sangue,  quando fui me dar conta já estava no quase no seu final, isso já era no km 3.  E sempre passando por um ou outro do Clube da CoRRida, dando um breve, mas importante apoio moral.

Percebi que apesar de ter feito a primeira subida ainda estava com fôlego, o que me encorajou a enfrentar as outras duas subidas menores. Fiz sem problemas. Cruzei a linha de chegada em 36min22seg.

Faltando 250m para a chegada.

A equipe ficou em 132ª posição geral com o tempo total de 2h 22mim 26s, isso por "culpa" minha, pois, como era o único homem da equipe, acabamos sendo inscritos no revezamento masculino, se a equipe fosse apenas de mulheres  elas teriam ficado abaixo dos 100 melhores no revezamento feminino.

Fernanda largando.
Que lição eu tiro disso tudo? Treinar subidas, treinar muito. E que realmente só tememos aquilo que não conhecemos, achei que seria um bicho-papão e no fim não foi nada daquilo, mais uma vez consegui "me" vencer, terminei a prova sem dores, e dessa vez bem mais satisfeito.

Quero agradecer mais uma vez a Sueli, minha namorada, que me acompanhou, levantando cedo e "trabalhando" de fotógrafa, registrando tudo! Também quero agradecer as minhas amigas da equipe Fernanda, Renata e Roberta, valeu meninas!

Sueli, minha fotógrafa.

E agora preparar-me para a próxima corrida, que será mês que vem. Corrida Oba, 8K, e dessa vez nada de  medo! 

Medalha, mais uma para a coleção!

CoRRer sempre!













domingo, 3 de março de 2013

Disciplina e Dedicação Sempre!







A frase acima apesar de dramática não deixa de ser uma verdade. Pude comprovar isso ontem, participando da 17ª Corrida da Lua de Campinas.

Tentarei ser breve neste relato.  A organização da corrida foi dentro daquilo que estou acostumado a ver, apesar de ter participado de apenas quatro corridas até agora. Muita gente, e apesar da muvuca (o que é de se esperar já que não larguei com o pessoal  da elite), tudo correu (desculpe o trocadilho) perfeitamente bem.

Encontrei-me com o pessoal do Clube da Corrida faltando uns 20min para a largada, fizemos o alongamento e o aquecimento juntos e fui para o meio da multidão esperar a largada.

Primeiro largaram o pessoal dos 10K e depois o pelotão dos 6K (onde eu estava). A minha corrida começou depois de 13min que o pelotão de 10K já havia largado, ou seja, eles já estavam quase voltando e eu estava começando a minha prova.

O bom de uma corrida curta com muita gente é que você corre acompanhado a todo momento, sempre tem alguém para você passar ou alguém te ultrapassando. Isso faz com que você esqueça um pouco da distancia. Os primeiros 3K foram tranqüilos, já haviam se passado uns 20min de prova  e eu sabia que tinha fôlego para agüentar mais uns 15min, o que seria perto dos 5km. O quilometro final teria que ser meio que na raça. Porém por volta do terceiro quilometro, tinha a subida mais forte da prova, acho que são uns 200 ou 300 metros de subida, ela começa leve, mas o final é desgastante. Resolvi diminuir o ritmo para poupar energia, afinal ainda estava no meio da prova. Neste momento as minhas amigas do Clube da CoRRida que estavam comigo começaram a abrir uma distancia razoável e eu comecei a ficar para trás. "Tudo bem, o importante é chegar" pensei comigo.

O quarto e quinto quilometro foi uma reta só, porém, os 15 minutos que eu tinha de "gás" já haviam esgotados a algum tempo, a subida havia consumido mais do que eu imaginava. Foi quando ouvi uma das mulheres do staff gritando: "Só falta 1K! Vamos lá!" Aquilo me animou. "Falta pouco, você agüenta" pensei.

Nesse momento você tem que buscar forças a onde não existe mais, tem que recorrer a todo tipo de pensamento positivo e motivador que existe. Estava no quilometro final. Sabia que havia apenas mais uma pequena subida para chegar na reta final. Mas qual foi a minha surpresa ao ver que havia uma pequena mudança no percurso, sim, uma ridícula "curvinha" a mais (talvez para completar os 6K exatos) porém, essa curvinha ridícula também estava acompanhada de mais uma subida mais ridícula ainda, não chegava a ser 20 metros de subida.

Foi esse detalhe que a minha prova foi para o brejo, comecei a fazer a subida, nesse momento comecei a sentir cãibras, não em uma perna, mas sim nas duas! Cada passo era uma fisgada. Esgotado e com cãibras, não agüentei, tive que caminhar. Um sentimento de decepção e frustração me tomou. Fiz esse trecho caminhando, faltava uns 300 metros para chegada e ainda tinha mais uma subida. Porém nem tudo ainda estava perdido, olhei no meu relógio e ele marcava 42min de prova, ainda dava para fazer abaixo dos 45min, como eu queria.

Fiz a última subida caminhando, mas com passadas rápidas. Já podia avistar a linha de chegada e o meu relógio marcava 44min. "Tem que ser agora, com ou sem cãibras".  Respirei fundo e comecei a correr, não trotinho, mas correr mesmo como se a minha vida dependesse daquilo.  Fui passando varias pessoas, não pensava em nada, apenas em chegar. Cheguei; com cãibras (achei que as pernas iriam travar e eu pagar um mico gigante ali na frente de todo mundo). Acredito que foi abaixo dos 45 min, mas tenho que aguardar  o resultado oficial.

Esta corrida foi uma experiência única e especial para mim. "Quanto mais suor derramado nos treinos, menos sangue derramado nas batalhas". As duas semanas que estive doente e treinei pouco fizeram falta nesta corrida. Isso mostra o quanto os treinos são importantes para se fazer uma prova tranquila, de hoje em diante vou me dedicar muito mais ainda aos treinamentos. Com certeza se não tivesse ficado doente essas  últimas semanas conseguiria fazer abaixo dos 42min. 

Quero agradecer as minhas amigas Renata, Regina e Rubia, pela companhia (pelo menos até a metade da prova). A próxima chegaremos juntos. 

CoRRer sempre.








sexta-feira, 1 de março de 2013

Véspera Corrida da Lua 6K - Campinas




Estava lendo o que escrevi na postagem anterior. Já se passaram quase dois meses. Dois meses de readaptação. Pegar o ritmo de novo não é muito fácil. É bem diferente de você começar do zero. Quando você está no começo, qualquer quilometro corrido a mais, é motivo de festa. Agora quando se vem de uma lesão, e você sabe que corria 8K e quando volta, mal consegue correr 2K, é bem desanimador. A perseverança e concentração tem que ser dobrada, e como é angustiante, treino após treino, perceber que seu desempenho vai melhorando bem devagar. Tem que ter muita paciência e saber respeitar os limites do seu corpo.

O bom de tudo isso, é que consegui vencer a minha primeira batalha do ano. Venci a "canelite". A fisioterapia foi muito boa e resolveu 90% das minhas dores. O resto foi através de treinos leves, caminhadas e exercícios específicos, principalmente na piscina. Por fim, acabei por me matricular numa academia para trabalhar os músculos das pernas. Nunca gostei de academia. Sempre achei um ambiente muito vaidoso, as pessoas desfilando com seus corpos todo trabalhado, mais preocupadas em ficar se admirando nos espelhos do que qualquer outra coisa, sinceramente isso não é para mim. Mas a academia que encontrei não é muito grande, um preço acessível e o horário que freqüento, não vai muita gente, apenas algumas senhoras que estão lá por questão de saúde e não somente por pura vaidade. 

Mas voltando para a corrida. Amanhã começa o calendário de provas de Campinas. A minha primeira de 2013. A Corrida da Lua, a minha primeira corrida noturna. Serão 6K, uma volta por fora da Lagoa do Taquaral abrangendo a Praça Arautos da Paz. O trajeto é mais do que conhecido por mim, há apenas duas subidas, uma quase na metade da prova, e a outra na última curva, ela é pequena, mas subida é sempre subida, não importa o tamanho. 

Apesar de não estar correndo para disputar o pódio (quem sabe um dia), também não estou lá para passear. E o meu objetivo é vencer, ganhar de mim mesmo, eu sou o meu maior adversário. Calar a boca da voz que fica na minha cabeça que desde o primeiro passo, fica me tentando a desistir. Sei que parece coisa de maluco, mas quando estou correndo tudo é motivo para parar ou desistir. Quando corro, sempre estou lutando comigo mesmo.

Minhas expectativas para esta corrida não são das melhores, algumas semanas atrás eu consegui fazer o percurso completo da prova em um treino, porém estou vindo de uma gripe um pouco forte. Os sintomas da gripe se foram, apenas restou uma tosse chata que não quer ir embora. E isso acabou atrapalhando as minhas duas ultimas semanas de treino que antecedem a corrida de amanhã. 

Com certeza precisarei de  muita concentração e força de vontade para terminar a prova, acredito que seu chegar até a primeira subida bem, conseguirei levar a prova até o final. Pretendo fazer abaixo de 45min. mas para mim, um tempo muito bom seria abaixo de 42min. 

Sei que não preciso levar isso tão a sério. Afinal, estou lá para me divertir e fazer uma coisa que eu adoro e que mudou muito a minha vida; correr. Mas um pouco de drama e suspense acaba sempre sendo um tempero a mais para dar um sabor especial na Chegada. 

CoRRer Sempre!