quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Corrida Circuito Athenas III Etapa - São Paulo




Quinta-feira, 08 de novembro de 2012


04 de novembro de 2012, um dia que ficará marcado na minha memória por muito tempo. Minha primeira corrida de 10K na minha vida. Nunca havia corrido isso. Muito emocionante, principalmente por tudo que aconteceu semanas antes do evento.

Uns quinze dias antes da corrida comecei a sentir uma dor no pé direito, achava que era apenas um excesso de esforço, afinal estava treinando para baixar meu pace. O objetivo era fazer um tempo abaixo de 6mim o quilometro. 

Os dias foram passando o dia do evento se aproximando e nada da dor passar. O treinador dizendo precisava alongar mais o pé direito e após os treinos tratar com gelo. De fato a dor sumia na hora, mas quando o treino terminava, a dor estava de volta.

Na semana da corrida ainda estava com dor, fui ao médico que diagnosticou distensão na panturrilha e pediu para que não fizesse nenhuma atividade física. Decepção total.

No dia seguinte conversei com o treinador, fizemos uns testes, um alongamento mais especifico a dor havia sumido. No sábado um dia antes da corrida, fiz mais alongamento e novamente não sentia nada, no final do treino a grande surpresa. Quando fui pegar o meu kit da corrida, descobri que estava inscrito para a prova de 10K e não de 4K como imaginava. Perguntei ao Halim o por que. "Se tem que estrear uma prova de 10K, essa é a corrida" - respondeu.

Naquele sábado trabalhei em um casamento, porem sai mais cedo para poder descansar, pois o ônibus sairia por volta das quatro horas da manhã. Fui deitar eram quase vinte e duas. Despertei uma hora da madrugada com meus vizinhos da frente fazendo festa. A música atravessava a rua e entrava direto pela janela do meu quarto, o pior é que era uma porcaria de sertanejo. Não consegui dormir mais. 

O Flavio, meu vizinho, que também iria participar da prova passou as três e meia em casa. Fomos até a Lagoa onde o ônibus sairia. A viagem foi tranquila, consegui cochilar um pouco até pararmos no Frango Assado para o café. Comi um pão de queijo e um suco de laranja.  Continuamos a viajem. 

Chegamos no local era quase seis horas da manhã. A largada era as sete. Uma área bem grande, próximo a Marginal Pinheiros, havia um bom número de estanders de produtos voltado para o corredor de rua, tênis, revistas, suplementos alimentares, massagem e etc. e muita, mas muita gente.



Assim que desci do ônibus, ja fui alongando. Estava preocupado com o meu pé e se aguentaria correr mais de uma hora direto sem parar. Pelas caixas de som, foi anunciado que os participantes fossem até o local da largada, nesse momento começou a dar um frio na barriga a hora estava chegando.

O meu percurso de 10K era uma reta, totalmente plano. Corria 5k e voltava. O tempo estava completamente nublado, faltando pouco para chover, mas Deus foi bom, não choveu. A temperatura estava muito agradável.

Nesse momento eu me via perdido em um mar de gente, ao contrário da Corrida Integração resolvi largar em meio a galera. A ansiedade tomava conta, os meus pensamentos estavam no meu pé, naquele momento não sentia dor. De repente, a largada.

Levei uns dois minutos para chegar até a largada. Até lá fui caminhando, respirando fundo, e tentando mentalizar o percurso. Assim que passei o portal da largada não tinha mais volta, correria mais de uma hora sem parar, essa era minha meta, 10K sem paradas.

Corri muito tranquilo, sabia que cinco quilômetros era possível, só tinha que administrar a respiração para ter fôlego até o final. Enquanto corria era ultrapassado por muitas pessoas, achei que se continuasse assim chegaria em último, mas não me importei, não podia forçar senão não chegaria até o final e ainda estava apenas no começo. 

2K. O primeiro retorno para o pessoal que estava correndo 4K, naquele momento uma voz na minha cabeça: "Vou voltar, não vou conseguir mesmo". Olhei no relógio, não marcava nem 20min. Respondi para mim mesmo: " Já aguentei 50min direto em um treino, vou correr esse tempo, depois vejo se continuo." É importante ficar lembrando desses momentos dos treinos, é um incentivo a mais, se consegui uma vez conseguiria de novo.

4K. O primeiro posto de água. Não estava com sede, mas estava transpirando bastante, peguei um copo, abri e joguei sobre a cabeça. Me senti um pouco melhor, faltava apenas 1 quilometro para a metade do percurso.

5K. O segundo retorno ficava a minha esquerda, a minha direita, o pessoal que estava correndo os 21K. Dei uma olhada no que eles haviam de percorrer ainda: a subida da ponte. Longa e íngreme. O pior é que eles teriam que passar por ela mais de uma vez, agradeci a Deus porque estava correndo apenas 10K.

Metade da prova estava completa. Me emocionei ao pensar nisso. Minhas pernas não doíam, principalmente o meu pé. Pelo meus cálculos um pouco mais de 30 minutos e chegaria no final. 

 6K. O segundo posto de água. Aproveitei nesse momento para tomar o gel energético. O ideal é tomar antes de se sentir fadigado. Nesse momento já pude perceber algumas pessoas caminhando. Fiquei imaginando que logo chegaria a minha hora de caminhar também. Mais do que depressa apaguei essa ideia da cabeça. Pensamentos negativos naquele momento não! 

7K. A minha primeira marca alcançada. Já haviam se passado mais de 50 minutos de corrida.

8K. Estava bem cansado, mas não ofegante o que me deixou confiante."Dá para chegar até o final" - pensei. Porém as minhas pernas estavam começando a pesar. Por todo percurso havia os fiscais da prova que orientavam e incentivavam o pessoal com gritos de apoio. Parece que não, mas isso ajuda muito. Bem que naquele momento, qualquer coisa ajudava muito. Concentrei-me ainda mais. "Em menos de 20 minutos estaria cruzando a linha de chegada" - pensei. Acho que esse foi o km mais difícil.

9K. "Só mais 1K, 1000 metros, mais 7 minutinhos".  Agora que eu não iria parar mesmo. Já podia avistar de longe a linha de chegada, logo começou aparecer as placas de 500 metros para o final e a cada 100 metros surgia outra. Não sei se isso foi bom ou ruim, comecei a ficar angustiado pois a impressão que se tinha é que as placas estavam bem mais longe do que 100 metros. 

Naquele momento corria apenas com o coração. Não sentia mais minhas pernas e não conseguia concentrar-me na respiração.  Aos poucos a música ia aumentando, era sinal que estava cada vez mais próximo da chegada. Pensei em dar uma acelerada no final, mas fiquei com receio de não ter fôlego nem para isso.

10K. A chegada. A primeira coisa que fiz foi agradecer a Deus fazendo o sinal da cruz. Me emocionei muito, só não chorei porque o cansaço foi maior. Estava com muita fome. Um vazio no meu estômago. Mas apesar do cansaço, da perna pesada, da fome, um sonho havia se realizado. Consegui correr uma prova de 10K, algo antes inimaginável pela minha pessoa. Algo que planejava fazer apenas em 2013.



Concluindo. Foi uma emoção sem igual. O sentimento de dever cumprido. Senti-me como se tivesse chegado em primeiro lugar em uma Olimpíada. Acredito que todos nós que cruzamos aquela linha de chegada naquele dia, indiferente da distancia percorrida nos sentimos assim. 



Quanto a dor? Ela ainda continua. falarei sobre isso depois. Por hora, quero continuar sentindo essa sensação maravilhosa de superação.













Nenhum comentário: